Apresentação

 

Lauterbach,

Aurora de nossa história

Este é o início da história que vamos contar: Lauterbach, Aurora de nossa história.

"A existência de povoamento a jusante da foz do Ribeirão Garcia determinou a situação da Colônia Blumenau no médio rio Itajaí-Açu, pois que seu fundador, o Dr. Hermann Blumenau, decidira nesse vale localizar o núcleo que idealizara", relata Peluso Júnior,[1] que aponta sua localização: "Foi entre as barras dos ribeirões Garcia e Velha, sítio da cidade de Blumenau, que teve início este empreendimento, mostrando-se esta localização bastante favorável para o comércio, porque pouco acima as corredeiras e quedas d'água interrompem a navegação".

Para Peluso Júnior, a Colônia Blumenau "deve sua fundação à iniciativa particular, pois que somente em 1860 passou para o Governo Imperial, que manteve na direção o seu fundador. A atividade privada na colonização, em terras concedidas pela província, já tinha precedentes na região fronteira à ilha de Santa Catarina. As colônias Nova Itália e Leopoldina foram também empreendidas de forma semelhante, mas ao contrário da primeira, que progrediu mediocremente, e da segunda, que fracassou, a colônia Blumenau triunfou. O seu povoamento foi feito com imigrantes alemães, a que se juntaram, mais tarde, imigrantes italianos".

"Embora a emigração transatlântica alemã já tivesse ultrapassado o seu auge, depois do último grande surto de 1880/84, decrescendo rapidamente, daí em diante, representantes burgueses da opinião pública, empresários e políticos alemães no final do século 19 continuavam interessados em influenciarem o rumo de tal imigração", avalia Klaus Richter[2], em seu estudo sobre a Colonizadora Hanseática de 1897. Tais burgueses eram, segundo Richter, adeptos "do imperialismo e nacionalismo da época" e consideravam "de interesse nacional que pela emigração os emigrantes não perdessem a sua etnia, cultura, língua e nacionalidade, mas, sim, formassem poderosos quistos étnicos alemães no além-mar".

Para tal fim, recomendavam que fossem fundadas colônias agrícolas em regiões que: 1) sendo pouco habitadas pelos nativos e possuindo condições climáticas vantajosas, favorecessem uma imigração alemã em grande escala com boas possibilidades de desenvolvimento; 2) pelo fato de a população nativa ser de "raça inferior" garantissem que a etnia, cultura, língua e nacionalidade dos imigrantes ficariam preservadas; 3) a longo prazo fornecessem matérias primas para a Alemanha; 4) no início não desenvolvessem indústria própria, dependendo, portanto, da importação de produtos industriais da Alemanha".

"Muitos daqueles interessados em promover a emigração alemã acreditavam que o sul do Brasil seria extremamente favorável à colonização. Estavam, sobretudo, impressionados pelo fato de lá já se terem formado quistos étnicos alemães como resultado da imigração, principalmente, depois de 1850, e da extraordinária natalidade das famílias imigradas", prossegue Richter. De 1870 até 1907, o Brasil recebeu 2.328.585 imigrantes, dos quais 56.416 eram alemães, 1.208.042 italianos e 54.593 russos. A estimativa do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha estimava, em 1891, que "estavam vivendo cerca de 200 mil pessoas de língua alemã, no sul do Brasil".

A historiadora Reguita Krüger Cunha[3] analisa que, com a colonização do Vale do Itajaí, a vasta região de Blumenau "começou a ser explorada e melhor conhecida". Porém, Blumenau "manifestava preocupação e iniciou a implantação de vias que possibilitassem o acesso a ambas as regiões, em especial Lages, que serviria para o escoamento de uma produção nascente, principalmente gado de corte e seus derivados". As terras ocupadas hoje pelos municípios de Rio do Sul e região "eram território dos Xokleng, sendo que estes ocupavam toda a área existente entre o litoral e a serra. Era um povo coletor - caçador que tinha a necessidade de deslocar-se por um extenso território. A comunicação efetiva entre esses dois pontos, Blumenau e planalto, se concretiza com a abertura, em 1874, de uma picada para cargueiros, projetada pelo Agrimensor Emil Odebrecht e este incentivado pelo Dr. Hermann Blumenau, explorou esta zona para fins de colonização e pela mesma via foi instalada a linha teleférica que ligava as duas colônias".

Em virtude das características geográficas e posição privilegiada entre a serra e Blumenau, os vales dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste "começam a ser povoados por imigrantes alemães e italianos que para cá trouxeram toda a sua peculiar cultura e aos poucos começam a fundar suas colônias com regimes próprios. Assim, surge o primeiro núcleo de colonização na confluência dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste conhecida atualmente como Encontro dos Rios".

Instalaram-se ali, no final do século XIX, e nos primeiros anos do século XX alguns colonos alemães: Wilhelm Stark, Fritz Witt, Carl Rinnert, Jacob Holler, Hermann Holler e Gustav Stark que iniciaram o processo de colonização das margens do rio Itajaí do Sul acima. Em 1904, Rudolf Odebrecht, filho do engenheiro Emil Odebrecht, abriu em Südarm[4] a primeira venda e um hotelzinho.

Em 21 de julho de 1906, Teodora Odebrecht, esposa de Rudolf, escreveu o seguinte relato: "Era uma noite extremamente fria, quando chegamos com nossa família à margem direita do ‘Südarm'. O velho balseiro, dono da pequena e primitiva balsa, residia na margem esquerda, sendo que nos deixou chamar inutilmente por muito tempo. Só depois de alguns tiros de pistola para o ar, notamos sinal de vida no outro lado. Nas margens do rio não existia estrada de acesso para a balsa e por isso carregamos cada pedacinho dos nossos haveres barranco abaixo e barranco acima. Na manhã seguinte, deparamos com uma encantadora paisagem hibernal. Muito tempo, porém, não ficaríamos sem caminho e balsa adequados. Depois de morarmos três semanas cá em cima, visitaram-nos o então Superintendente Snr. Alwim Schrader com alguns outros senhores de Blumenau, encomendando-se antes de mais nada uma balsa melhor e construindo-se uma estrada provisória. Nas condições daquela época, uma viagem a Rio do Sul, deveras, não era bagatela, pois automóveis ainda não existiam. A estrada, no entanto, era melhor que alguns anos mais tarde, quando se tornou péssima, por ocasião da construção da estrada de ferro. Os índios ainda se manifestavam muito nos tempos de então, assaltando freqüentemente as tropas de mulas e até os cargueiros. Encontravam-se grande número de cruzes ao longo da estrada, principalmente na várzea do ‘Muehlenbach' - Ribeirão Atafona - entre Riachuelo e Subida. As cruzes eram colocadas onde sucedia o assalto, pois geralmente os assassinados eram sepultados no local da ocorrência".

 

Os colonizadores

A historiadora Cátia Dagnoni[5] identificou os empreendedores da colonização no Alto Vale do Itajaí: "Muitas pessoas se tornaram importantes e conhecidas na colonização do Alto Vale do Itajaí. Na maioria, descendentes de imigrantes da colônia de Blumenau. Também foi surgindo muito interesse pelas terras do Alto Vale e foi como resultado, as colonizações".

Segundo Cátia Dagnoni, Victor Gaertner celebrou, em 28 de fevereiro de 1919, "um contrato com o Governo do Estado de Santa Catarina, para construção de uma estrada de rodagem da Barra do Rio Trombudo à povoação de Corisco, no município de Curitibanos", com cerca de 90 quilômetros de extensão. Após a morte de Victor, em 4 de outubro de 1926, sua viúva (Irma Gaertner) assumiu a administração da empresa.

Luiz Bertoli Sênior iniciou seu trabalho em 23 de novembro de 1920, ao assinar com o Governo do Estado o contrato para construir "uma estrada de rodagem do Rio das Pombas, desde a sua barra, até a estrada geral em Pouso Redondo", com 20.200 metros de extensão. O pagamento por seus serviços incluiu algumas glebas de terras, o que permitiu a ele a povoação de parte dos atuais municípios de Rio do Oeste e Ituporanga.

A Companhia Salinger, em 25 de setembro de 1929, adquiriu terras de Irma Gaertner, na área de Rio do Oeste, além de outras na estrada geral de Blumenau para Curitibanos e confluentes do Rio do Oeste. Willy Hering, segundo Dagnoni, colonizou o Vale do Matador, Vale do Itajaí do Sul, a Colônia Jensen e parte da Colônia da Sociedade Colonizadora Catarinense. O Sindicato Agrícola de Blumenau, por sua vez, desenvolveu "a colônia de Trombudo, com 113 famílias brasileiras, 81 alemãs, 279 teuto-brasileiras, 28 ítalo-brasileiras, 3 hispano-brasileiras".

A mesma autora mencionou, ainda, outros empreendedores da colonização no Alto Vale do Itajaí: Gottlieb Reif, em Pouso Redondo, implantou a Colônia Reif (1913); em 1918, o Dr. Joaquim Breves Filho era o concessionário de terras "às margens do rio Itajaí do Oeste, Subida e Ribeirão dos Bugres"; Ermembergo Pellizzetti colonizou em Rio do Sul, Matador, Taboão, Cobras, Rio do Oeste e Lontras; a Companhia Brasileira Torres atuou às margens do Ribeirão Lontras; a Companhia Colonizadora e Indústria de Santa Catarina foi a responsável pelo início de três burgos agrícolas em Ituporanga; Carlos Napoleão Poeta foi o comprador das terras da Companhia de Colonização e Indústria de Santa Catarina, no Rio das Antas; a Sociedade Colonizadora Catarinense colonizou as terras banhadas pelo Rio Itajaí do Sul; e a Empresa de Terras Jensen S.A., de Paul Zimmermann, Carlos Jensen e Frederico Jensen, compraram terras de Carlos Napoleão Poeta, entre Ituporanga e Rio do Sul.

 

A origem do nome

O primeiro nome dado ao atual município de Aurora foi Lauterbach, mas há duas versões para a mesma história, de acordo com os pesquisadores e historiadores da região.

Uma versão nos dá conta de que, na língua alemã, lauter significa alto e bach significa ribeirão. Sendo assim, Lauterbach significa rio barulhento porque nas margens do rio Itajaí do Sul, próximo a atual prefeitura de Aurora, existiam muitas pedras e uma pequena queda d'água ruidosa.

Outra versão pode ser encontrada no o livro de Crônica da Paróquia Evangélica de Rio do Sul, dando conta de que Lauterbach era o nome do primeiro agrimensor que veio medir as terras de Aurora.

A propósito, a demarcação e a venda das terras ficaram sob a responsabilidade da Empresa de Terras Jensen S/A, propriedade de Paulo Zimermann, Carlos Jensen e Frederico Jensen, que compraram terras de Carlos Napoleão Poeta, e a Sociedade Colonizadora Catarinense. Com a venda dos lotes, transferiram-se para Lauterbach outras famílias: Krüger, de Pomerode; Günther, Schoeninger e Strey, de Blumenau; todas de descendência alemã.

Aos poucos, os trabalhadores das estradas, que abriam as picadas, fixaram-se pelas redondezas, próximo às casas que já existiam, criando novos núcleos de ocupação. Em 1913, Henrich Reif acelerou a exploração da região de Lauterbach, abrindo a primeira casa de comércio (ferramentas, roupas, utensílios domésticos), chamada na época de venda de secos e molhados.

Após a instalação das primeiras famílias nas margens do rio Itajaí do Sul acima, outros núcleos foram surgindo, próximos às margens do ribeirão Aurora, denominado Alto Lauterbach, e Ribeirão Areia, chamado na época de Sambach.


[1] PELUSO JÚNIOR, Victor Antônio. Aspectos Geográficos de Santa Catarina. Florianópolis: FCC Edições/Editora da UFSC, 1991.

[2] RICHTER, Klaus. A Sociedade Colonizadora Hanseática de 1897 e a Colonização do Interior de Joinville e Blumenau. Florianópolis/Blumenau, Editora da UFSC/Editora da Furb, 1992.

[3] CUNHA, Reguita Krüger. .............................................................

[4] Antiga denominação do atual município de Rio do Sul.

[5] DAGNONI, Cátia. Empreendedores da Colonização no Alto Vale do Itajaí. In: Rio Sul - A história em revista, número 1, março de 2000, páginas 14-18.




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